Embora faça parte das ciências criminais e apesar dos esforços iniciais de sua construção enquanto ciência autônoma, a Criminologia foi, ao longo dos anos, encaixada como saber acessório ao Direito Penal, ocupando, este último, o papel de ciência principal. Inúmeros são os esforços de respeitados pesquisadores para que o saber criminológico continue em constante evolução, especialmente a partir da inauguração da Criminologia Crítica, e para que seja amplamente disseminado. Porém, o que se percebe, sobretudo na prática criminal, é a redução errônea dessa ciência a algo intangível e idealista.
Acredito que, por este conjunto de fatores, a Criminologia não seja considerada, na maioria das faculdades de Direito, como disciplina necessária para compor a grade curricular, o que fortalece, ainda mais, a cisão entre a prática jurídica e o saber criminológico. Trata-se de matéria que, em muitos casos, sequer é mencionada durante a graduação, nem mesmo nas disciplinas de Direito Penal e de Direito Processual Penal, ou, ainda, nos seminários, minicursos e matérias optativas.
Por outro lado, o Centro Universitário Dom Helder, instituição da qual tenho o prazer de pertencer enquanto egressa da graduação e, atualmente, docente, assumiu a árdua, mas proveitosa tarefa, de incluir a Criminologia enquanto disciplina autônoma na grade curricular do Direito Integral. Aos demais estudantes de Direito que integram o corpo discente, diversas são as outras opções para que também possam ter acesso ao conhecimento criminológico, seja pelo conteúdo ministrado em sala pelos excelentes docentes da área penal, ou pela realização de seminários temáticos.
Foi a partir dessa tentativa institucional de fornecer a formação acadêmica mais ampla e profunda possível, que tive o prazer de orientar os alunos do 4º período do Direito Integral, do segundo semestre do ano de 2025, para a elaboração dos capítulos que compõem esta obra. Dessa incrível experiência docente, pude perceber que, assim como o faz o Direito Penal há muitos anos, a Criminologia é capaz de despertar no discente a mais genuína curiosidade e o mais comprometido interesse.
Ao término do semestre letivo, os alunos puderem desenvolver um artigo que relacionasse alguma das escolas criminológicas com algum tema latente e hodierno de seu interesse. Assim, surgiram incríveis pesquisas científicas que versaram sobre os mais variados assuntos, desde a infeliz permanência do positivismo criminológico à Criminologia Feminista e à Criminologia Verde. O resultado foi fruto de severo comprometimento dos discentes, os quais, com imensa coragem, desbravaram campos sensíveis e espinhosos da Criminologia.
Por este motivo, dedico este livro, ao menos no que concerne a minha parte como organizadora, aos meus queridos e responsáveis alunos, os quais, além de aceitarem com bravura o desafio posto, dedicaram-se todos os dias para produzir a melhor pesquisa possível.
Agradeço imensamente ao Centro Universitário Dom Helder por todo o suporte prestado, assim como à Professora Ana Virgínia Gabrich, coordenadora do Direito Integral, com quem pude contar para a realização dessa exitosa tarefa. Por fim, agradeço às professoras Camila Martins Oliveira, Valdênia Geralda de Carvalho e Helen Cristina de Almeida Silva, por me auxiliarem em todas as iniciativas docentes que, em muitos casos, ultrapassaram a sala de aula. Por fim, agradeço à Professora Mariana Colucci por ter aceitado, com excelência, a tarefa de prefaciar esta obra.
Desejo aos leitores que, no transcurso da leitura, possam renovar a fé em nossas gerações, assim como renovo a minha a cada dia no exercício da docência.
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